Perceção como um caleidoscópio

É sábado à noite, por volta das 11 horas. As pessoas estão a regressar de ‘Dom Quixote’, uma peça de teatro recentemente estreada. Seis amigos que decidiram ir ver a peça, estão sentados em frente do edifício a discutir aquilo a que acabaram de assistir.

Os olhos do Maria ainda estão molhados. Parece que ela ainda fica submersa em emoções da cabeça aos pés. Todo o seu ser sente compaixão por um cavaleiro destemido que está a tentar lutar contra a doença. Maria está mesmo a sofrer e acaba por relacionar a sua fé e o destino daqueles que lhes são próximos com a fé do cavaleiro. Ivana é uma apaixonada por teatro e transmite sentimentos totalmente diferentes de Maria. Começa por recapitular a peça com vivacidade, energia e muito entusiasmo. Ao contrário de Ivana, o Alexandre começa por analisar de uma maneira equilibrada o quão bem o escritor idealizou o enredo. Está à procura de uma coerência lógica entre todas as partes da história ao longo do tempo. A Helena começa a dançar à metida a que sai do teatro e convida os outros a irem até à discoteca. A Natacha nem parece estar a ouvi-la. Bastante concentrada nos seus pensamentos, recorda a peça e idealiza todos os finais possivelmente alternativos. O Damir parece “estar entre agulhas e alfinetes”. Para ele está tudo certo. Já tomou a decisão de começar uma viagem à volta do mundo, da mesma maneira que Dom Quixote começou as suas aventuras.

Como é que é possível que estes amigos tão próximos, tenham reações completamente diferentes relativamente à mesma peça? Existe em cada um, uma diferente estrutura de personalidade e é por esse motivo que têm diferentes perceções relativamente aos detalhes da peça. É óbvio que a Maria perceciona as coisas através das suas emoções. A Ivana tem uma opinião e atitude muito fortes. O Alexandre faz uma análise lógica das coisas. Separa a informação da mesma forma que um computador. A Helena limitou-se a apreciar a peça sem entrar em reflexões mais profundas, fica apenas pela reflexão de ter ou não ter gostado. O mundo interior de Natacha é enorme. Ainda tem a capacidade de idealizar finais alternativos. O Damir já está pronto para a ação. A peça ainda agora acabou e ele já está a pensar nas suas próprias aventuras.

Todos eles têm perceções diferentes relativamente àquilo que está à sua volta, dependendo do seu tipo dominante de personalidade.

Pergunte a alguém o que é que está a sentir e analise a sua reação. Algumas pessoas vão dizer que estão contentes ou tristes sem hesitação. Outras vão começar a maioria das frases com “Eu penso”. Algumas vão partilhar as suas observações, enquanto outras vão partilhar as suas opiniões e crenças ou até mesmo clarificar aquilo de que gostam e não gostam. Por último, mas não menos importante, existem as pessoas que vão dizer aquilo que gostavam de fazer. Todos os tipos de personalidade vêm o mundo de maneiras diferentes.

O Harmonizador sente em primeiro lugar e pensa em segundo. Faz uma apreciação das pessoas com base nos sentimentos que tem relativos tanto às pessoas como às coisas.

O Pensativo primeiro pensa, identifica, categoriza e coloca rótulos nas pessoas e nas coisas.

O Imaginativo tem uma capacidade incrível de imaginação. Consegue facilmente representar na sua mente o desenvolvimento de um projeto.

O Persistente estima primeiro. Julga e estima as pessoas e as coisas através do filtro das suas atitudes.

O Rebelde tende a ter como primeira reação às pessoas e às coisas, “Eu gosto disto”/ ” Eu não gosto disto”.

O Promotor primeiro age, agarra as ações e experimenta. Só depois começa a pensar, sendo que nem sempre o faz.